POBREZA AMERICANA

bandeira eua

Coitadinhos dos norte-americanos! Tão explorados! Ganham por horas trabalhadas. Nada de intervalo de almoço, décimo-terceiro, vale-transporte, vale-alimentação, FGTS, multa por rescisão de trabalho, aviso prévio.

Férias remuneradas? Um mês de descanso? Sonhe! O empregador é quem decide quantos dias o funcionário pode parar (no máximo quinze e descontados do salário). Adoecer pega mal. O patrão até espuma com esse tipo de falta, sendo que o tempo máximo de ausência que se costuma tolerar é de cinco dias, mas o empregado não recebe nenhum tostão durante o período.

Licença-maternidade inexiste. Quem dá à luz deve voltar imediatamente ao trabalho para garantir o leitinho do neném. Pode-se optar pela permanência em casa por no máximo três meses igualmente não remunerados.

Quanta opressão! Temos muito a agradecer aos governos de esquerda. Ganhamos por treze meses e meio e trabalhamos onze. Considerando-se o abono salarial, recebemos por quatorze meses e meio! Se demitidos, temos seguro desemprego (três a cinco meses recebendo sem trabalhar, podendo-se prorrogar por mais dois).

Mulheres gozam de seis meses de licença maternidade (um semestre ganhando sem trabalhar)! Temos direito a aviso prévio, multa por demissão sem justa causa, intervalo remunerado de almoço, adicional noturno, vale-transporte, vale-alimentação, vale-tudo. Não é uma maravilha?

Infelizmente não. O salário-médio mensal de um trabalhador americano é 3,78 vezes maior do que o de um brasileiro. Um mês de trabalho de um norte-americano rende em média R$ 6.680,47 contra R$ 1.768,20 de um brasileiro, segundo o IBGE.

A miríade de direitos do trabalhador brasileiro pesa sobre o empregador e o estado. O primeiro desconta a desvantagem no preço dos produtos; o segundo, nos impostos. A carga tributária, por sua vez, além de afetar o bolso do próprio trabalhador, diminuindo-lhe o poder aquisitivo, desencoraja o empresário a investir. Por isso há tão pouco interesse em empreender. Quando há, pensa-se duas ou três vezes em contratar e dez a vinte em demitir.

A esquerda tem orgasmos múltiplos com isso. Ignora, ingênua ou deliberadamente, que essa é a causa de um PIB per capita brasileiro de US$ 11,7 mil contra US$ 51,7 dos Estados Unidos. Óbvio. Sem estímulo ao empreendimento não há fomento à produção. Produção pequena, faturamento irrisório; faturamento irrisório, salários baixos; salários baixos, arrecadação pífia; arrecadação pífia, serviços péssimos.

Bateu inveja dos americanos? Se não, saiba que por lá todo tipo de profissional—garçom, pedreiro, marceneiro—pode dirigir uma BMW, morar em casa própria com ar condicionado e piscina, ter seu IPhone, além de não enfrentar ônibus lotados e ruas esburacadas.

Quer mais? Americanos contam com sistema de segurança que lhes garante policiamento ostensivo e penitenciárias seguras. Vejam só! Eles andam tranquilos nas ruas de Nova Iorque e Los Angeles! Não é de se espantar. A produtividade de lá dá um baile na nossa. Por isso há impostos baixos e arrecadação alta. Consequentemente há salários melhores e preços mais acessíveis. Simples assim.

Enquanto isso, na terra do Vicentinho, compramos atestados médicos para faltar ao trabalho e emendar feriados, desfrutamos férias, horário de almoço, jornadas reduzidas, sem saber que o preço disso é insegurança, congestionamentos, pavimentação deplorável, sistema de saúde sofrível, educação vergonhosa, tudo isso regado a tributos cada vez mais altos e juros bancários absurdos que o governo cria tentando atrair capital estrangeiro para suprir a riqueza que não conseguimos criar.

Caracteriza-nos, acima de tudo, o medo. Medo de empreender, medo de contratar, medo de demitir, medo de consumir, medo de sair às ruas, medo da inflação, da recessão, do desemprego, da aposentadoria, do IPTU, do IPVA, da volta da CPMF. Coitadinhos dos americanos! A casa deles não tem muros!

Quanto a você, intelectual de esquerda, progressista avesso ao progresso, que vibra com todas essas “conquistas”, todos esses direitos, parabéns. Agora, por favor, não reclame que ganha mal. Não entre em greve. Não proteste contra o SUS ou a escola pública. Não se queixe de viver trancafiado, de evitar as ruas do centro. Não ouse dizer que paga impostos demais para retorno de menos. Tenha ao menos a dignidade de calar a sua boca!

 

André Paschoal é médico e escritor.

VIVA A CLASSE MÉDIA!

 


viva a classe média

Você pertence à classe média? Que bom! Faz parte de um quarto da população brasileira! Sua renda varia de R$ 2.000,00 a R$ 6.500,00. Até que é um bom dinheiro! Mas será que vale a pena? Você deixa ao Estado 41% do que ganha. Dos doze meses do ano, trabalha cinco apenas para pagar impostos. Nada mais justo, uma vez que Estado reverte esses tributos em serviços de ótima qualidade (segundo o ele mesmo, é claro).

São esses tributos que financiam a escola pública. Seus filhos, contudo, não a frequentam porque é muito fraca. Para entrar em uma boa universidade é preciso gastar dinheiro, ainda mais com 25% das vagas já destinadas a alunos egressos da rede pública (aquela mesma pela qual você paga mas não usa).

É com uma boa parcela da sua renda que o sistema público de saúde mantém-se. O velho SUS que sua família não utiliza porque oferece péssimo atendimento. Por não querer ser internado em corredores de hospital ou passar dois anos esperando por exames, você tem de arcar com as custas de um convênio.

Cento e cinquenta e cinco dias de trabalho seus bancam o sistema de segurança pública. Entretanto, para sentir-se realmente seguro, você precisa assumir mais despesas: condomínio, seguros e até mesmo segurança privada.

Isso tudo por quê? Porque você, apesar de ser capitalista—e de acreditar nesse sistema—vive em um país socialista. Simples! Todo mundo reserva uma parte da renda para sustentar o setor público. Quem ganha mais, dá mais; quem ganha menos, dá menos; quem ganha muito pouco, não dá quase nada. Em suma: todos pagam, nem todos usam. E paga mais quem menos usa.

Por isso você precisa trabalhar duro durante cinco meses para manter o SUS sem utilizá-lo. Também por isso há pessoas que nem trabalham, vivem de benefícios do governo (também custeados por você) e usufruem de um sistema que, mesmo ruim, para elas é gratuito. Para você não.

A coisa piora ainda mais ao descobrir que seu plano de saúde também é uma forma de socialismo. Cada usuário paga parcelas altas, precisando ou não de atendimento ou exames. Se você não foi ao médico nenhuma vez durante o ano, arcou com as consultas daquele que visitou o doutor uma vez a cada duas semanas, fez exames, precisou de internação. Você, mesmo gozando de plena saúde, gasta mais do que se estivesse doente. Bem-vindo ao socialismo!

Mas você é capitalista e orgulha-se de sê-lo. Tem viés conservador, acredita na propriedade privada, na meritocracia, na livre iniciativa, na democracia, no estado de direito, preza pela família, vai à igreja. Você trabalhou bastante, juntou dinheiro—apesar das dificuldades. Conseguiu abrir pequena empresa. Agora é dono dos meios de produção. Contrata funcionários. Que glória!

Sabe o que ganhou com isso? Mais tributos, taxas, encargos trabalhistas. Empregados podem faltar, fazer serviço mal feito, chegar atrasados, mas têm tantos direitos que se torna mais caro demiti-los que os manter trabalhando mal e porcamente. Se mesmo assim você optar pela demissão, melhor para eles: receberão seguro-desemprego, entrarão como beneficiários de um bolsa-sei-lá-quê e passarão cinco meses recebendo sem trabalhar (aqueles mesmos cinco que você rala, também para pagar por essa folguinha dos ex-funcionários).

Por isso sua empresa não decola. Aí você percebe que as que vingam têm conluio com gente do governo; nota que o Estado cria monopólios, dificultando a livre concorrência. Quer mais socialismo que isso?

Mesmo a duras penas, se obtiver sucesso como empresário, você passa automaticamente a ser mal visto. Encaram-no como explorador, calculista, avaro, autoritário. Transforma-se em algo a ser combatido, eliminado. Mas você é capitalista. Bata no peito e orgulhe-se! Pena que viva em um país socialista.

A esquerda que aí está vem percutindo a mesma tecla há décadas. Ensinou que a sua esposa precisa trabalhar em vez de cuidar da casa. Fê-los acreditar piamente nisso. Ambos não têm agora a menor dúvida de que isso é fato incontestável. Por esse motivo, precisaram contratar empregada, caso contrário a casa de vocês viraria um chiqueiro.  Também precisaram de babá para cuidar dos filhos. Tudo bem. Valeu a pena.

Mas e agora que o socialismo inventou que o seu lar é uma empresa? A babá e a empregada passam a ter direitos como qualquer outro trabalhador, mesmo que você não obtenha lucros com esse “negócio”. Na dúvida, melhor não reclamar e descascar mais esse abacaxi, ou então receberá a alcunha de escravagista (afinal, empregada em casa—segundo o pensar em voga— é um resquício da escravidão). Saúda-o mais uma vez o socialismo.

Santo Deus, vale mesmo a pena ser classe-média? Há barreiras de toda sorte impedindo-o de deslanchar. Melhor talvez cair de classe, mas isso lhe apavora. Não quer perder o apartamento que financiou pela Caixa Econômica; não quer perder o automóvel que comprou em 36 vezes e está quase quitado; não quer perder a escola particular das crianças, nem o convênio da UNIMED.

Aí você continua pagando pela escola pública e a privada, mas usando só a particular; pela saúde pública e a privada, mas usando só o plano de saúde; pela segurança pública e pela do seu condomínio—além do seguro do carro e da casa— mesmo que ao precisar da polícia ou da justiça sinta aquela decepção.

Mesmo assim, é bom ser classe-média. Você possui smartphone, TV de LED. Sua filha estuda piano, seu filho faz caratê. Você fala um pouquinho de inglês. Não precisa ir de ônibus ao trabalho (embora também pague por esse tipo de transporte). Viaja para o litoral nas férias. Mal se lembra de que o IPVA que paga— e que deveria ser suficiente para proporcionar ótimas estradas—é revertido em buracos e valas.

Que beleza de socialismo! Quem não viaja desembolsa o mesmo imposto que quem viaja muito. Quem tem carros mais caros, recebe taxas mais altas; quem tem carros mais simples, taxas menores; quem tem verdadeiros calhambeques, taxa zero. Por isso as estradas são uma droga. Quer asfalto melhor? Pague quatro, cinco, seis pedágios.

Mas você é capitalista. Tirando alguns percalços, ainda vale a pena ser classe-média. Mesmo com tanto caudilhismo, tanto populismo, tanto paternalismo, tanta política distributiva, tanto relativismo, tanto bolivarianismo, tanto “coitadismo”, você é capitalista.

Agora, convenhamos: se você engole esse papo de feminismo, distribuição de renda, reforma agrária, se você enxerga bandido como vítima da sociedade, se acha que violência vem da desigualdade social; se acha que banqueiros são ladrões, se idolatra o Chico Buarque, ama os artigos do Mino Carta, passa o domingo ligado na Regina Casé; se votou no Lula e na Dilma e—agora que se cansou dessa gente—optou pela Marina Silva, desculpe. Você não é capitalista. É um néscio que compra a própria corda que o estrangula.

André Paschoal é médico e escritor.

 

QUEM SOMOS:

Rua Direita iniciou suas atividades no Facebook em 2013, auge do governo socialista de Dilma Rousseff, como uma das poucas alternativas de oposição midiática aos seus desmandos.

Com o assombroso crescimento da página, sem nenhuma injeção de verba estatal ou privada, decidimos ampliar horizontes em 2015, criando página homônoma no Instagram.

Atualmente contamos com 80 mil seguidores no Facebook e 30 mil no Instagram. O barulho das postagens passou a incomodar muita gente, resultando em um processo contínuo de censura das nossas publicações.

Isso, no entanto, apenas contribuiu para maior crescimento. Ingressamos também no Twitter e criamos o presente blog no qual serão publicados textos de minha autoria.

Estas linhas versarão sobre política sem a empáfia característica dos intelectuais da área. A pessoa que as escreve é apenas um cidadão comum indignado com os rumos do nosso país.

Espero que apreciem.

 

André Paschoal é médico e escritor.